• O PRAZER COM A TRAGÉDIA ALHEIA E AS SITUAÇÕES DRAMÁTICAS




    É sabido que o ser humano tem uma tendência natural para a tragédia, mas andamos exagerando ultimamente.
    Digo isso porque a constante depreciação da dignidade alheia faz com que nos tornemos mesmo que por poucos instantes melhores do que outros.



    Se não bastassem os terremotos, os tsunamis, as enchentes, e todos os fenômenos naturais que assolam o mundo, estamos investindo duramente em novas formas de tragédias, como os assassinatos cada vez mais premeditados, os saltos de pontes, os assassinatos em massa de crianças indefesas, pedófilos que escancaram sua patologia ou como muitos preferem afirmar(o que é perigoso) de falta de vergonha.



    Estamos travando uma nova guerra, uma guerra individual, psicológica... O que é muito pior porque não existe nada mais cruel do que estar envolvido psicologicamente, pois você pode estar em qualquer lugar mas o pensamento te acompanha.



    Quando abrimos os jornais diariamente, não conseguimos mais somar a quantidade de crimes, muitos bárbaros, como o rapaz que foi esfaqueado tantas vezes, o homem que foi “alvejado” com não-sei-quantos tiros, ou o diretor de uma multinacional que foi cortado em pedaços pela garota de programa que ele conhecera em um site de acompanhantes. Pior que saber dos fatos, é vê-lo, pois as imagens aterradoras estão expostas na internet.



    E isso é aterrador. Ser indiferente não é a melhor solução, pois quanto maior a distância dessas situações dramáticas pior será sua reação quando um dia você for acometido por um desses dramas.



    Essa semana fui à biblioteca fazer um empréstimo de uma obra que há muito tempo estava de olho; quando estava conversando com o bibliotecário surgiu um homem descompensado questionando o porque muitos funcionários terem faltado ao serviço devido a greve de motoristas de ônibus, humilhou o pobre homem e coagiu-o sem pestanejar. 



    O bibliotecário reagiu a altura e disse que sentiu medo, pois não sabemos com quem estamos nos relacionando, pois a possibilidade de ele sacar uma arma naquelas condições aumenta 48%. Ele ficou muito nervoso, muito aflito.



    E o que o destemperado fez foi se aproveitar da fraqueza do outro, e isso é uma forma de locupletar-se do medo, da "fraqueza", dos conflitos alheios, ou seja, aproveitando-se da tragédia alheia.



    Estar ciente de nossas mazelas, de nossas sombras e principalmente dos nossos medos é condição sine qua non para ter uma vida mais ajustada com os padrões vigentes, pois não podemos prever o que vai nos acontecer daqui a 1 minuto.



    Agir como um sadista e com um sorriso cínico diante dos conflitos pode fazer com que nos tornemos apáticos e insensíveis.



    O que quero dizer é que não podemos fugir das tragédias, pelo menos uma delas irá nos acometer, conversei com um amigo psicanalista e ele mostrou essa lista de situações dramáticas, vejamos:

    1. Súplica
    2. Libertação
    3. Crime seguido de vingança
    4. Vingança entre famílias
    5. Perseguição
    6. Desastre
    7. Ser vítima de crueldade ou fatalidade
    8. Revolta
    9. Aventura ousada
    10. Sequestro
    11. O enigma
    12. Obtenção
    13. Inimizade dos parentes
    14. Rivalidade dos parentes
    15. Adultério com assassinato
    16. Loucura
    17. Imprudência fatal
    18. Crimes involuntários de amor
    19. Morte por engano de parente disfarçado
    20. Auto-sacrifício por um ideal
    21. Auto-sacrifício por seus próximos
    22. Todos sacrificados por uma paixão
    23. Necessidade de sacrificar seus próximos
    24. Rivalidade entre superior e inferior
    25. Adultério
    26. Crimes passionais
    27. Descoberta da desonra do(a) amado(a) (Este está subdividido em subsituações)
    28. Obstáculos ao amor
    29. Amor por um inimigo
    30. Ambição
    31. Conflito com Deus
    32. Ciúme equivocado
    33. Erro de julgamento
    34. Remorso
    35. Reencontro com ser amado
    36. Perda de entes queridos


    Ufa! ;D Não dá para fugir de algumas dessas situações. Para terminar digo que a maioria dessas situações dependem obviamente do equilíbrio interior e de como encaramos a realidade, viver em um mundo paralelo a base de pílulas da felicidade não é interessante, exceto os que realmente necessitam de tais tratamentos, questiono pessoas que estão a base de remédios por opção e querem fugir, não querem sair da Matrix (inclusive vou escrever sobre esse assunto, o universo da Matrix, que é filosófico ao extremo) ou até mesmo atacam o semelhante e possuem um comportamento completamente avesso ao equilíbrio sustentável da nossa espécie.



    O drama sempre vai existir, só nos resta moldá-lo e exercer a compaixão com a tragédia alheia.
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