• O SENTIMENTO DE CULPA: UM DOS MAIORES MALES DA SOCIEDADE.



    O sentimento de culpa a meu ver é um dos maiores males que afligem a sociedade. Digo isso porque é muito recorrente usá-lo, e esse uso faz parte de reações do inconsciente para conter uma situação negativa, de repulsa, que está no limiar da assertividade ou não.

    Esse sentimento é totalmente ilusório e em nada é percebido em nós como tal. Nós o cultivamos e ele apresenta-se a nós como a grande solução que ocorre na vida. Portanto sua natureza é essencialmente onipotente, divina. Conclusão: o sentimento de culpa é sentimento de onipotência.

    Por se fazer onipotente, muitas vezes o escondemos, queixamo-nos dele e não o queremos em nossa companhia, mas não o largamos em nenhuma hipótese afinal a culpa é sentida como uma grande companhia.

    Sei que estou muito vago em meus questionamentos, mas é essa a intenção...

    O sentimento inconsciente de culpa baseia-se na ideia de que é consequência de algo, de um ato, de um pensamento, ou que surge em face de algo que fizemos ou deixamos de fazer, uma das principais manifestações.

    Em outras palavras, nós somos os causadores daquilo que nos leva, depois, a nos sentir culpados. Isso é uma enorme vantagem não acham? Temos recursos para dirigir a vida, somos a causa primeira de todas as coisas e adquirimos poder para alterar os determinantes da vida. Supervalorizando-nos.

    Além disso, haveria outro benefício: a falsa impressão da possibilidade de repetição das coisas.

    O que quero dizer é que o passado pode tornar-se presente até por um ato de pensamento.

    Nós criamos o sentimento de culpa/onipotência em nós mesmos e este não constitui consequência de nada, pois não passa de uma invenção mental com o objetivo de atingir nossa ILUSÓRIA SUPERVALORIZAÇÃO.

    E sendo mais rigoroso, é impossível na vida humana a repetição de qualquer coisa, pois a vida humana não é cíclica, ou seja, um exemplo é a doutrina espírita que afirma que a vida é regida por cíclicos reencarnacionistas, ou seja cíclico, quando sabemos que a vida não é cíclica, a ciência já comprovou isso... Mas isso é outra história que irei abordar bem mais adiante no Pistas da História.

    Continuando, agora não devemos confundir o sentimento de culpa com remorso, mal-estar, abatimento ou coisa semelhante porque esses são estados comuns do ser humano, fazem parte do conjunto que nos auto-regula.

    Quero reafirmar que o sentimento de culpa nos SUPERVALORIZA. Mas de que forma? Quando agimos assim: Eu não queria fazer isso, me desculpe, eu sei que foi minha culpa, eu me sinto tão culpado por isso, o que eu posso fazer para retificar o que fiz?
    Quando alguém age assim, ela assim o faz com a esperança de ser interpelado com brandura e ternura, pois o inconsciente se encarrega de fazer o trabalho de advogado de defesa.

    A culpa expressa-se pelas autoacusações permanentes, pela rigidez com que a pessoa trata a si própria, pelo APARENTE sentimento de inferioridade que na verdade é de grandeza.

    Esse sentimento é uma tentativa de autovalorização, que muitas vezes surge como uma reação individual e que agora linkando com o título do texto representa uma reação nada agradável da sociedade, pois esse sentimento apesar de ser inconsciente pode ser evitado.

    Agora me lembrei de um personagem na história que representa ainda hoje a imagem de traidor e que leva o estigma da culpabilidade.

    Estou falando de Judas Iscariotes, sempre defendi a tese de que Judas nunca quis trair Jesus, sou totalmente contra o pensamento positivista então em minhas pesquisas encontrei indícios a favor do tesoureiro do grupo de Jesus.

    O beijo da traição também é outro momento mal interpretado, pois em algumas versões bíblicas o termo anafileim é usado simbolizando um beijo mais literal, só que quando o beijo de Judas em Jesus é citado utiliza-se o termo katafileim, que é um beijo mais afetuoso, um beijo de irmão.

    Na verdade Judas considerava que se Jesus conseguiu fazer milagres, conseguiu superar as artimanhas do inimigo, ele também conseguiria superar aquela situação e sair dali ileso.
    Só que ele esqueceu que Jesus era manso e humilde de coração, incapaz de ranger os dentes, começar ali um massacre e fugir.

    É aí que entra a culpa. Judas foi culpado e se sentiu culpado por ter entregue Jesus.

    E não venham me dizer que Judas era ambicioso, nada disso. Judas quando recebeu as 30 moedas de prata poderia ter recebido muito mais, afinal Jesus era conhecido e era um Mestre. Esse valor de 30 moedas era um preço de um escravo, ou seja, ele poderia ter lucrado muito mais, a questão não era dinheiro.

    Citei Judas porque a meu ver ele é o maior bode expiatório da história, sempre lançando a culpa em alguém.

    E ele de fato se sentiu culpado, o enforcamento é prova cabal.

    Orígenes escreveu uma das mais belas coisas que já se disseram sobre esse apóstolo.
    Ele afirma que quando Judas se deu conta do que acabara de fazer, apressou-se em suicidar-se, esperando encontrar-se com Jesus no mundo dos mortos e ali, com a alma a descoberto, implorar-lhe o perdão.

    A Igreja nunca ensinou a condenação de Judas e nem poderia fazer isso, pois sua missão é salvar e declarar os que já estão salvos, ou seja, os santos, mas nunca os condenados.

    Encerro com essa história de Judas porque acredito que o simples ato de culpar e declarar-se culpados requer uma boa dose de discernimento, pois a melhor forma de deixar com que a culpa fique de lado é assumir a responsabilidade por determinado ato, acredito que seja a melhor solução, pois quando se assume um fato automaticamente estamos deixando a culpa de lado.

    É sob minha responsabilidade, sob minha máxima responsabilidade... Era assim que deveria ser.
  • Você pode gostar também

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Os comentários passam por um sistema de moderação, ou seja, eles são lidos por mim (Randerson Figueiredo) antes de serem publicados. Não serão aprovados os comentários:
    - não relacionados ao tema do post;
    - com pedidos de parceria;
    - com propagandas (spam);
    - com link para divulgar seu blog;
    - com palavrões ou ofensas a pessoas e situações;