• A FINALIDADE DO SOFRIMENTO.




    Em muitos momentos da vida é comum nos depararmos com problemas. E esses percalços muitas vezes surgem sem um caminho viável para solucioná-los. Por isso mais uma vez cito Carl Jung, pai da psicologia analítica, que menciona em um de seus trabalhos que jamais deveríamos nos perguntar sobre o porquê do problema, pois muitas vezes perguntar o porquê nos levaria a uma série de outras perguntas sem resposta.


    Jung propõe o seguinte questionamento: para quê sofremos? Para a psicologia analítica, o sofrimento é um sintoma da alma. Nós não sofremos não só com fatores físicos, orgânicos. Sofremos principalmente com fatores emocionais.



    Isso acontece porque os parâmetros de desejos mudaram. O homem desde suas origens passa a cultivar vírus emocionais que facultam outros degenerando seu estado de espírito. Passamos a abrir uma brecha às viroses emocionais.



    Vivemos em uma sociedade onde não costumamos mais confiar no outro, a viver em um conflito sem educação com o semelhante. Tudo isso propicia um descontrole emocional em conjunto dissonante de uma vivência pacata e feliz.



    Então essa sociedade começa a adoecer, e esse adoecimento gera sofrimento. Nessa valorização excessiva da persona, a mágoa toma conta e isso causa desequilíbrio. Por isso, situação que poderia passar tranquilamente, a pessoa já está contaminada pelo vírus psicológico.



    Toda vez que meu ego é frustrado eu sofro. Agora o que é debatido é que o ego precisa ser frustrado para que eu amadureça. Portanto o sofrimento é a melhor terapia para o crescimento moral do indivíduo.



    Por isso que toda vez que há uma frustração do ego devo me perguntar: mas para quê estou sentindo isso agora? 



    Sem o sofrimento não cresceríamos. E não cresceríamos por quê? O sofrimento é só uma consequência de uma causa muito maior. Então não existem vítimas. Somos todos responsáveis pelos nossos atos. 


    De alguma maneira continuamos sofrendo pelas mesmas coisas, desejando sempre os mesmos objetivos, as mesmas amizades. E isso é procurar sofrer. Temos que nos acostumar a dizer não, dizer não ao ego que sempre procura agir como um garoto mimado e insolente.


    O que quero dizer é que o sofrimento está vinculado à sensibilidade de cada um, ou seja, o sofrimento vai ter intensidade da maturidade do meu ego, conforme a minha capacidade de ir além do ego.



    Será que eu estou me sentindo importante demais? Será que não me acho merecedor demais? Será que estou conseguindo reconhecer minhas limitações?



    Devemos reconhecer a sombra coletiva, nossos medos e anseios, a obscuridade do ser. 



    O sofrimento assim como a dor, favorece a melhora da vida, todo conteúdo que é negligenciado guarda energia psíquica, assim é o sofrimento, a dor.



    Portanto o sofrimento não é imposto por Deus. Costumamos simplificar as coisas, tudo achamos que é carma, pois não é sofrer o carma e sim com o carma, passamos a estabelecer uma relação com ele.



    “O homem tem de lutar com o problema do sofrimento e não com o sofrimento. Com a causa e não com o sintoma. O sofrimento precisa ser superado e o único meio de superá-lo é suportando-o. Aprendemos isso com Ele (o Cristo).” Jung (Cartas, vol. 1)



    Vivemos em uma sociedade em que sofre quem quer, a partir do momento de como encaro esta dificuldade, a causa propriamente dita. Onde está a causa desse problema? 



    As questões que me causam sofrimento precisam ser superadas e dessa forma temos que suportá-lo.



    O problema é que muitas vezes nos comportamos como crianças mimadas e temos que nos perguntar todos os dias: qual o tamanho do meu egoísmo?


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