• O CARMA DE SER CRISTÃO




    Hoje irei perpassar a filosofia do gigante Santo Agostinho. O questionamento que se segue é sobre o Carma de ser cristão, já que nós cristãos, estamos sujeitos a um forte dilema moral.

    O Mestre Jesus em um dos seus grandiosos ensinamentos nos disse: “Faça ao outro aquilo que gostaria que fizessem a você”. Claro que aqui estou usando uma linguagem mais informal.

    E é aí que está o problema meus caros. Se praticarmos o bem, queremos por analogia que o nosso irmão também faça o mesmo conosco, não é verdade?

    Mas muitas vezes não é isso o que acontece, quando usamos a benevolência muitas vezes nos é devolvido em troca uma acachapante onda de malefícios, tempestades e sérios danos morais e até mesmo físicos.

    E o que fazer com essa discrepância? Retornar essa onda de carga negativa? A minha resposta é curta e direta: não!

    Devemos seguir como mencionei no início, os ensinamentos de Jesus Cristo, mas de que forma? Colocaria um adendo no ensinamento do Mestre: faça ao outro o que gostariam que fizessem com você, mas antes pergunte ao outro se ele gostaria de ser tratado assim, afinal você não irá modificar sua natureza por ninguém.

    Essa seria minha colocação. Se retornam com o mal para você, com o mal não se deve pagar, pois é de sua condição humana continuar a fazer o bem, porque já que Ele nos diz que é para tratar o irmão como gostaria de ser tratado então se fizer o contrário você estaria sabotando seus próprios ideais para ser alguém em uma condição moral não tão melhor da que você já tem.

    É aí que entra a filosofia de Agostinho, a filosofia agostiniana é uma constante busca da verdade, que culmina na Verdade, em Cristo. É um movimento incessante, uma paixão, e, precisamente, a paixão principal: o amor. “Amor meus, pondus meum”, o amor é o peso que dá sentido à minha vida. Verdade e Amor. “Fizeste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti”, diz nas Confissões.

    Essa “passionalidade” da filosofia agostiniana não é em nenhum momento irracionalismo ou voluntarismo. Se incita a ter fé para entender, também anima a entender para crer melhor. Nada nos pode fazer duvidar da possibilidade de chegar à verdade. Nada valem os argumentos céticos. Si fallor, sum: se me engano, é uma prova de que sou, diz, antecipando-se, num contexto muito diferente, a Descartes. E com mais clareza: “Sabes que pensas? Sei. Ergo verum est cogitare te, logo é verdade que pensas”.

    É desta forma que Santo Agostinho vem nos falar da verdade em Cristo, por analogia, seguindo o ensinamento que citei acima assim estaremos mais próximos Dele e sem olhos vendados com uma “verdade incontestável”, pois nós cristãos estamos mais suscetíveis a nos decepcionarmos, estamos mais sujeitos a triste verdade do não acolhimento da palavra amiga por sempre querermos fazer o bem e nem sempre recebermos uma resposta favorável em troca.
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