• O DESENLACE DA RAIVA E A MITOLOGIA GREGA




    O texto de hoje como já adiantei no título refere-se a relação da mitologia grega com o politicamente correto, ou melhor dizendo, sobre o desenlace da raiva.

    Antes de falar sobre a raiva propriamente dita, vou voltar na cronologia e lembrar/entrar no mundo da mitologia...

    Conta a mitologia grega que lá no reino de Hades, é a terra dos mortos, existe e reside um cão, chamado Cérbero, e esse cão tem três cabeças, um ação imenso e que é muito difícil passar por ele.

    Esse cão feroz, indomável, apesar de difícil existe uma forma de passar por ele. Tem que levar pão, joga-se o pedaço de pão, ele corre e enquanto isso o indivíduo passa a outra margem, mas é importante que se diga que é necessário levar pão para a volta da travessia, porque normalmente ele sente o cheiro de quem atravessou.

    Mas tudo na mitologia tem uma simbologia. Toda vez que estamos em um estado melancólico e quando estamos entrando em contato com nossas questões profundas nos deparamos com este cão. Este cão se chama raiva.

    Segundo a psicologia analítica ou junguiana cada cabeça representa um tipo de raiva. A cabeça do meio, a principal, Carl Jung irá chamar de raiva arquetípica que é aquela raiva que todos nós sentimos. E essa raiva é gerada a partir do momento que tiro o espaço do ego da criança, quando tudo me é negado e quando sou tolhido.

    Para ser mais didático, basta pensar que na nossa psique tem umas sacolas onde alguns dados são armazenados e em uma delas tem o nome raiva. E tudo que acontece na minha vida desde o meu nascimento e contraria o meu desejo faz volume nessa sacola.

    A segunda cabeça é originada de uma auto alienação. Graças aos complexos, a persona eu construo uma imagem que não é real. Toda vez que eu contrario essa alienação, pois trata-se de uma dependência psicológica, essa raiva é despertada.

    A terceira cabeça representa quando eu proponho a mim mesmo situações que geram raiva.

    A raiva é uma emoção primária e própria da natureza humana. Ela quase nunca é aceita, ou melhor, ela não é aceita. E é aí que mora o perigo.

    Por exemplo: uma criança pequenininha, naquele processo de constranger que nós passamos, quando ela manifesta qualquer coisa parecida com raiva ela rapidamente é reprimida. Por quê?
    É feio, mamãe não gosta, a irmã também, os amigos, o papagaio e por aí vai.

    Percebo que há uma moda do politicamente correto, do enquadrado e bonitinho e a raiva não tem espaço. Isso gera um fator de degeneração orgânica, daí o aparecimento das doenças, principalmente o câncer.

    Se olharmos para o estilo de vida de nossos avós iremos perceber o quanto eles aproveitaram a vida de forma mais plena. Subindo em árvores, andar sem os chinelos, comendo todo tipo de fruta, enfim, uma vida saudável.

    As crianças de hoje são totalmente tolhidas, cheias de pudor, não que eu esteja pondo isso em questão (e na verdade eu estou), mas não possuem uma liberdade que havia. Há uma supressão da liberdade.  E isso causa muita raiva.

    Voltando a nossa história da mitologia há uma necessidade de saber lidar com a raiva, um desempenho hercúleo, sim, porque Hércules foi o único herói que conseguiu domar Cérbero.

    E como lidar com a raiva? Não podemos deixar que nossa racionalidade saia do comando. Agora me lembrei da minha avó quando cata feijão, pois devemos ficar com o que há de melhor e o que há de pior a gente exclui.

    Você tem que assumir que tem raiva. Dizer que nunca sentiu raiva pode ser um enorme companheiro da esquizofrenia, quem tem embotamento emocional tem sérios problemas psiquiátricos.

    Não podemos manter uma autoimagem idealizada, achar que tudo é maravilhoso, eu preciso reconhecer em mim todas as minhas emoções. É importante que eu reavalie minha autoestima, pois ela quando está em baixa é um fator adicional à raiva.

    A raiva é uma forma de o organismo mostrar onde está sua ferida, por isso ela deve ser tratada. A raiva não é ruim, ela é necessária para descobrirmos onde está nosso calcanhar de Aquiles, o nosso ponto vulnerável. Ela é uma forma de defesa.

    Portanto devemos ponderar e trabalhar com ela, não aprisionar como o cão Cérbero, mas trata-la da melhor maneira possível, pois ela pode ser a cura para a alma.

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