• A SANGRIA DOS ESTUPRADORES




    Já se tornou corriqueiro a investida de homens em mulheres da forma mais cruel possível: o estupro.

    Acabei de assistir ao telejornal e fiquei espantado em saber que só na grande São Paulo o número de estupros aumentou 26%. Isso é um absurdo! Essa é uma das formas de abuso mais cruéis que se pode imaginar.

    Sem contar que muitas vezes a vítima não delata o estuprador com medo de represálias, pois muitas conhecem quem praticou o ato. E sem contar também com os índices alarmantes em outros estados por aí afora.

    Dia desses uma psicóloga foi vítima da ação de um desses covardes "brutos aliciadores" que estão à solta por aí. O carro apresentou problema na estrada e apareceu um sujeito pronto para trocar o óleo... Que maravilha! Desgraça feita.

    O que mais me causa indignação também é o fato de ainda aparecer advogado, ou melhor, ADEVOGADO pronto para defender um sujeito como esse.

    Porque se pararmos pra pensar na crueldade da situação iremos notar que muitas vezes não se trata de patologia psicológica do indivíduo em questão, mas sim da própria natureza turva em que ele se apresenta.

    Já escrevi neste espaço várias vezes, e em uma destas oportunidades escrevi sobre a sombra coletiva, e mais uma vez me remeto a ela.

    Sinceramente penso o que leva uma pessoa a cometer um ato medonho como esse. A que proporção chega o ato de selvageria animalesca com uma mulher que se mostra indefesa? 

    Sei que fazendo uma análise histórica, no século XVI, o crime de estupro passou a
    ser visto como de violência sexual, encarada, por sua vez, como roubo da castidade e da virtude. Entretanto, pelo fato de esposas e filhas serem vistas perante a lei como propriedade patriarcal, a prática dos tribunais continuou a tratar o estupro como um crime a ser resolvido entre os homens.

    A violência contra a mulher é uma violência masculina que se exerce contra as mulheres pela necessidade dos homens de controlá-las e de exercer sobre elas o
    seu poder.

    Portanto voltando ao assunto de sombra coletiva, chego a dizer que muitos dos casos são compatíveis com essa abordagem definida por Carl Jung.

    O lado negativo da força remete a uma ação calculada, premeditada e articulada da melhor maneira possível por parte do indivíduo que planeja toda a ação, fazendo com que a mulher se torne a parte vulnerável da história. A demonstração de fato do poder de gênero!

    "Como a arma básica de força contra as mulheres, o estupro, uma prerrogativa masculina, é menos um crime sexual do que uma chantagem de proteção; é um crime político, o meio definitivo de os homens manterem as mulheres subordinadas como o segundo sexo". (Brownmille,1975, p.15).

    E não adianta afirmar que a mulher de hoje é vulgar, vulnerável, promíscua e uma série de adjetivos, pois nenhum deles legitima esta ação obscura que um ser humano pode tomar.

    A mulher pode andar até sem nenhum traje na sua frente que não temos o direito de usufruir da sua dignidade de forma violenta sem a sua permissão, quem pensa o contrário está agindo também em comum acordo como a mente de um estuprador.

    Até a próxima,

    Randerson Figueiredo.
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