• O SUCESSO É SER FELIZ!





    Instalou-se a ditadura da felicidade, ou melhor, mais uma ditadura pós-moderna que acarreta uma série de circunstâncias, e não é de hoje que esse sistema de sorrisinhos muitas vezes a base de rivotril se manifesta.

    É tão engraçado, para não dizer trágico, notar que mestras do mercado editorial e estou falando de editoras sérias que estão no mercado há anos apostarem nesse filão de livros de autoajuda.

    E porque vendem tanto? Ora, a resposta está na ponta da língua. Basta observar que em tempos de correria, de tremenda ansiedade, de ponta de estoque de corações despedaçados surge um iceberg de agonia que clama por uma leitura que encoraje ao que se deve fazer e o melhor, como fazer tal coisa.

    É muito cômodo não acham? Agora vale salientar que nesse interim houve uma mudança significativa de leitores, ou melhor, de tema central que motiva esses leitores a investirem pesado nesse tipo de leitura.

    Antigamente, na década de 80/90 a onda era lei do menor esforço, hoje o sucesso do mercado editorial é dizer que o sucesso é ser feliz. Sim, muito mais prático, muito mais seletivo e dinâmico perfilar a estante com livros deste naipe.

    A questão é a seguinte: muitos dos autores acreditam que a felicidade é um direito. O que não é verdade! A felicidade se conquista e depende de muitos fatores. E digo até mais, nem todos nasceram para serem felizes. É difícil ouvir isso não é?
    A mas Deus quer que eu seja feliz... Mais adiante chegarei neste ponto.

    Tentar ser feliz nos tempos atuais requer um sacrifício subumano. E lá vem outra constatação: a felicidade depende também do outro, pois estamos aqui para compartilhar experiências e aceitação com quem estamos nos relacionando.

    Na verdade somos felizes porque acabamos percebendo o quão somos ínfimos diante da tragédia alheia em não perceber que a felicidade é uma constância mais de espírito do que de fatores materiais.
    Percebemos o quanto somos felizes quando temos algo a partilhar com alguém, seja nossas angústias, frustrações, melancolias ou até mesmo nossas alegrias cotidianas, passageiras, frívolas e bobas.

    Podemos ser alegres o tempo todo, mas não felizes. Porque a felicidade é um estado contemplativo, ao passo que é um estado de transição, mutatório. Dizer que encontramos a felicidade é um erro, pois quando a achamos a perdemos novamente.
    A minha concepção de felicidade baseia-se em três pilares: fé, caridade e esperança. Agora cheguei ao ponto onde queria. Essas virtudes que citei são as chamadas virtudes teologais.
    Fé - para se alcançar os seus desejos mais recônditos; caridade – a verdadeira caridade eleva seu coração a Deus, pois é um ato de generosidade; esperança – para nunca perdermos a chance de acreditar na vida.

    Acredito que essas virtudes nos aproximam do Criador, agora sim irei cita-Lo. Principalmente a fé e a caridade, pois essas virtudes nos fazem ser mais complacentes com o sofrimento alheio, pois Deus está em cada irmão que nos relacionamos e a felicidade é o seu olhar de ternura conosco.

    Já a esperança é bastante útil para pensarmos que dias melhores virão e não dependermos de livros de autoajuda e arregaçar as mangas e não nos apegarmos em frases de efeito que nos atormentam como se fosse um horóscopo para cumprir rigorosamente as sugestões do dia.

     Já que o sucesso é ser feliz... Que sejamos, mas naturalmente, claro!

    Até a próxima!



    Randerson Figueiredo.
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    2 comentários:

    1. Parabéns pelo blog!!!!!!

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    2. Muito obrigado pela participação Osvaldo. Seja bem-vindo ao blog de filosofia Jung na Veia.

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