• A CORDA BAMBA DA VIDA




    Não é de se espantar que podemos constatar que vivenciamos em uma verdadeira corda bamba constante. A corda bamba no tratamento com o outro.

    Já falei neste espaço, ou melhor, mais precisamente no blog Jung na Veia sobre vários aspectos da persona, sobre sombra coletiva, inconsciente coletivo, anima e animus, enfim, sobre as circunstâncias nas quais estamos inseridos psicologicamente.

    Mais do que isso, tentamos a todo o momento a necessidade de nos equilibrarmos na corda bamba da vida. Aglutinar todos esses elementos em um só para nos oferecer um equilíbrio vital, essencial à vida.

    É sabido que algumas pessoas são mais sensíveis e mais suscetíveis que outras em muitas questões. Resta saber em que ponto sobressaltou o direito do outro.

    Tem uma frase muito interessante que exemplifica o que estou querendo dizer: “10% dos conflitos são causados por diferença de opinião e 90% é devido ao tom de voz errado”.

    Esse era o ponto que queria chegar, pois o tom de voz como dito na frase acima diz muito sobre como tratamos o outro. Sendo ou não sensível essa prática revela como de fato não só como o interlocutor se comporta como também a outra parte.

    E esse comportamento se revela como uma prática sadista, isso mesmo, sadista. Porque revela a maldade que está inserida em um (não tão) simples tom de voz.

    A entonação nos dá dicas de como está a sua vida, por isso é tão importante preservá-la e dedicar o bom uso para exercitá-la.

    A correria da vida é tamanha que não há espaço para longas explicações quando se é traído pela língua, nesse mundo de redes sociais a vida torna-se oscilante a todo o momento e requer um cuidado redobrado quando o assunto é o tratamento com alguém.

    E muitas vezes nem somos acachapados por doses dilacerantes de veneno com o tom de voz, mas a nossa hipersensibilidade faz com que pareçamos ingênuos, e percamos a chance de ir mais além com alguém que poderia sanar nossas dúvidas mais inquietantes.

    A ultra sensibilidade das pessoas hoje acredito que seja devido ao grande período em que ficam reclusas nos seus computadores e não possuem espaço para o diálogo sincero.

    Adoram bradar tudo que acreditam via internet, mas ao vivo os argumentos desaparecem como rastilho de pólvora. Por que isso acontece?

    Ora, as redes sociais funcionam como uma espécie de escudo protetor capaz de frear os lances mais arredios e expandir a sua risada escandalosa como disse Ivan Lins.

    Tudo isso contribuiu para que tenhamos pessoas mais tristes, acabrunhadas, e menos desenvoltas com as relações interpessoais, com a esperança de mostrar, de exibir o seu mundinho feliz ao seu suposto amigo que você conheceu ontem, no domingo à tarde, no churrasco na casa do vizinho.

    Mas o que isso tem haver com o tom de voz? Tudo. Com o desenrolar da tecnologia, as pessoas não possuem mais altivez consigo mesmas, o tom de voz é baixinho, quase inaudível, quanto mais com os outros. Tornamo-nos reféns das nossas próprias conjecturas.


    Cada vez mais está a se perder o amor próprio por uma curtida ou por um compartilhamento, e isso é grave. E o verdadeiro tom de voz está em se determinar qual será o tom da vida.
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