• AMAR TAMBÉM SE APRENDE



    Sobre o amor cristão...

    Para exercitar o amor é necessário amar, para isso não é preciso mestrado, doutorado ou pós-doutorado. É praticando, como disse, exercitando a prática do ato de amar que tudo se restabelece.

    Um exemplo desse amor praticado com um desvelo imensurável foi o de Jesus Cristo por nós. Amar é um ato de completa caridade que tem o poder altíssimo de cura.

    A caridade empreendida por Jesus implicava em benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

    Quando substituímos na definição as palavras: benevolência, indulgência e perdão por amor/respeito compreenderemos realmente esse sentimento incondicional do Mestre por todas as criaturas.

    Fica assim: “amor/respeito para com todos; amor/respeito para com as imperfeições alheias; amor/respeito aos ofensores”. Essas são as regras básicas do amor cristão.

    Caridade é amor, e não há amor onde não houver profundo respeito aos seres humanos.

    Há certa similitude entre amor e caridade. Ambos são estados de alma, assim como a juventude ou a velhice não são uma época da existência terrena e sim um estado de espírito. A pobreza ou a riqueza são um modo íntimo de ver a vida.

    Com características idênticas, a felicidade ou a infelicidade não são, respectivamente, uma época boa ou ruim da existência, mas um estado de graça (que independe dos fatos circunstanciais).

    Sobre o amor platônico...

    O amor platônico é na sua acepção usual a ligação amorosa entre duas pessoas sem aproximação sexual. Ele é considerado único, completo, detentor de todas as boas qualidades e sem defeitos.

    De acordo com Platão, o amor verdadeiro não deseja a outra pessoa, pois a identificação está no intelecto; refere-se a algo que seja perfeito, mas que não existe no mundo real, apenas no mundo das ideias.

    Apenas a ideia do amor basta por si só, ela já é suficiente; não há necessidade de se tornar tangível e, por isso, a criatura não sofre. Pelo contrário ela evita o amor físico conscientemente, pois sabe quando ele se concretiza, deixa de ser equilibrado e pleno.

    Uma vez realizado ele demonstra ser uma cópia do ideal, e toda cópia, segundo Platão, é imperfeita e deve ser evitada.

    Sobre o amor na amizade...

    Agora vou citar um livro, um dos meus livros de cabeceira, chamado O Profeta de Khalil Gibran que fala o seguinte sobre amizade:

    “E um jovem disse, fala-nos da amizade. E ele respondeu, dizendo: O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades. Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão. E é o vosso apoio e o vosso abrigo. Pois ides até ele com fome e procurai-o para terdes paz. Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o ‘não’, nem retendes o ‘não’. E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele; pois na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.”

    Acredito que não preciso dizer mais nada sobre o amor na amizade.

    Citei aqui algumas formas de amar, mas acredito que não podemos nos abandonar “nos braços do amor”, não é o amor por si só que alimenta o vínculo de aprendizado afetivo, mas a forma de amar que dá sustento à convivência amorosa.

    O modo de estabelecer relações com quem amamos é que faz toda a diferença. Só por empenho e dedicação é que a relação pode ser levada adiante.

    O amor precisa ser cultivado, não só por um lado da relação, mas pelos dois lados. Não podemos perder nossa individualidade, não devemos nos amalgamar no outro. Porque afinal de contas o amor só cresce quando é regado dia após dia, estamos no abecedário das relações interpessoais, porque amar também se aprende.

    Até a próxima,


    Randerson Figueiredo.
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