• O QUE O DINHEIRO NÃO COMPRA?



    Espero que você não diga: para todas as outras existe mastercard. Bem, o texto de hoje será um tanto quanto reflexivo, mais que o habitual.

    Vivenciamos uma sociedade em que praticamente tudo está à venda. As melhores coisas da vida não são coisas, essa é uma frase de uma pichação popular em São Paulo que diz muito a respeito do tema de hoje.

    A verdade é que o dinheiro está minando a democracia. Entramos na era do “mercadismo”. Onde tudo tem um preço. E isso é um fator histórico: começou com Ronald Reagan e Margareth Thatcher.

    Thatcher chegou a dizer publicamente: não existe sociedade e sim famílias e indivíduos. O que ela quis dizer com isso? Que o estado não interferiria na economia e sim o mercado.

    Esse processo é mais evidente na Europa e nos EUA, onde a democracia foi mais sedimentada, pelo menos hipoteticamente falando.

    Aqui no Brasil essa questão ganha cada vez mais espaço. Antigamente, e não tão antigamente assim, na década de 90 éramos um povo mais hospitaleiro.

    Quando a vizinha cuidava do seu filho sem cobrar nada, quando os vizinhos eram “convocados” para ajudar a erguer a laje e o que era oferecido: churrasco e cerveja bem gelada. E dessa forma tudo ficava ótimo, ficava tudo resolvido.

    Propagandas alardeiam que devemos viver numa vida sem limites (infinito), que devemos comprar coisas absurdamente sem importância naqueles canais que enchem nossa madrugada adentro.

    E o caso dos rolezinhos? O que posso dizer a respeito é que aqueles jovens nunca haviam pisado em um ambiente daquele nível e o máximo que eles gostariam de fazer era procurar ostentar algo que eles não tinham. A situação causou aquele alvoroço.

    Como bem disse o filósofo Wittgenstein: “precisamos problematizar a questão, evidenciá-la”. E ele está certo. Pois viver em uma sociedade onde tudo se tem um preço não é mole não.

    Onde pessoas vendem o seu rim, são pagas para guardar lugar numa fila, pagas para ler livros, para oficializar uniões matrimoniais, para matar rinocerontes na África do Sul onde o preço do chifre é muito caro no mercado negro, para doar sangue e por aí vai.

    Vivenciamos uma sociedade plutocrata onde os mais ricos desempenham o poder de forma contínua e duradoura. Essa é outra questão que levanto aqui.

    Ricos e pobres não se encontram mais. Aí podemos pensar assim: a, mas isso é ótimo, como diz aquela música... Cada um no seu quadrado. Será mesmo?

    Acredito que não seja bem assim, pois analise comigo: viver com as mesmas pessoas, frequentando os mesmos círculos sociais, praticamente as mesmas conversas... E onde está a miscelânea cultural da sociedade? Reduzida a quadrados estamentais como na Idade Média.

    Sei que essa comparação foi um pouco exagerada, mas acredito que mais cedo ou mais tarde chegaremos a esta situação, se algo não for feito para se ter uma transformação em longo prazo.

    Não temos espaços públicos, não formamos identidades entre os cidadãos e a democracia é prejudicada.

    Mas ainda não cheguei ao ponto alto do texto. O que o dinheiro não compra?

    Amor, solidariedade, amizade... Isso o dinheiro não compra, e espero que nunca compre, pois são sentimentos vividos de forma única e especiais. O jeito gratuito de ofertar aquilo que você não pode comprar é a melhor maneira de estabelecer uma relação cordial e confiável para o resto da vida.


    Até a próxima.
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    2 comentários:

    1. É verdade, já dizia o poeta: "não há porta que não se abra ao tilintar de uma moeda!" tudo tem seu preço e agora, mais que nunca, em detrimento de amizades duradouras e reciprocas, hoje crianças brincando na calçada ou até mesmo na rua é perigoso demais pode vim um "doido" qualquer e atropelar ou até mesmo um tio "abusar" da criança que não a deixam ser criança ... cada vez mais é cada um por si e o $$ para acalmar as ansiedades, necessidades e desejos!

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    2. Obrigado pelo seu comentário. Seja bem-vindo ao blog Jung na Veia. Você tem toda razão ao tecer essas características da sociedade que vivemos.

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