• INTERVENÇÃO MILITAR E O RECALQUE PÓS-ELEIÇÕES.



    Não nasci a época do Regime Militar, graças a Deus, mas como pesquisador percebo que há uma espécie de retrocesso político que muitos querem armar sem se dar conta do que estão fazendo.

    Não participei, mas já li muito a respeito sobre o golpe instaurado nos anos 60 até meados da década de 80, inclusive estou escrevendo meu novo livro ambientado nessa época, Tocaia, e também pretendo escrever um outro, esse sim, terá como pano de fundo a ditadura.

    E por falar em ler existe uma coleção excepcional do escritor e jornalista Elio Gaspari: A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura derrotada e A ditadura encurralada.

    E com certeza quem leu e quem vivenciou esse período está absolutamente vacinado contra toda forma de investida de pessoas alheias a essa situação, ou seja, de pessoas que não tem o que fazer.

    Outro livro bastante interessante chama-se A Conquista do Estado de Rene Armand Dreifuss Esse é espetacular! Rene Armand é o cara nesse livro que projeta de forma satisfatória os lances mais ardilosos dessa época.

    E porque dou tantas dicas de leitura? Porque o que parece é que falta informação, e logo em uma época de "selfie-services" literários e bibliotecas virtuais e o escambal algumas pessoas minaram num campo restrito do conhecimento histórico.

    Poxa será que todo o conhecimento que fora adquirido nos tempos de escola não bastaram para encerrar esse assunto como sendo uma das páginas mais negras da nossa história?

    Isso é recalque. Não aceitar a democracia quando ela simplesmente não convém é uma prova inequívoca que somos aquilo que um dia almejamos nos tornar, mas não queremos ser aquilo que o presente insiste em nos ofertar.

    Fazer parte da história é um presente dos deuses, e esse presente para muitos é de grego, afinal construímos nossa própria história com uma análise do passado, passado esse que alguns querem esquecer.

    No meu blog, o Pistas da História, a frase que abre o portal é de Goethe: "Escrever a história é um modo de nos livramos do passado". Agora analiso essa frase sob uma perspectiva mais objetiva, os erros, a história é feita de repetições. E se for para repetir, que se repitam os acertos. 

    É abominável que se pense em intervenção militar, principalmente nos dias de hoje. Um novo DOPS, um novo SNI, um novo AME-O OU DEIXE-O e um novo Golbery do Couto e Silva? Sim, mas a diferença para os dias atuais é que quando alguém for espancado tem que postar uma selfie com os hematomas não é isso mesmo?

    Mas que facebook? A tinha esquecido, não seria possível utilizar esses meios tão arrojados atualmente.

    Sem contar tudo o que o Regime fez com a educação, com o sistema de saúde, foi uma falta de bom senso sem tamanho. 

    A questão é que não aprendemos com a história, basta observar os abusos sexuais, o preconceito, e por falar em preconceito antigamente a sociedade era até mais tolerante com muitas práticas ditas hoje até mesmo intoleráveis. Até hoje ainda existem grupos extremistas radicais antissemitas (neonazistas) e por aí vai.

    Como disse, a história é feita de repetições, só resta a nós apaixonados por esta disciplina aparar as arestas e contar com o desvelo que temos por ela para um dia se possível contarmos aos nossos netos e bisnetos o quão ela foi graciosa e bondosa conosco, pois somos testemunhas oculares, cada um a seu tempo e espaço dessa engrenagem chamada vida.


    Até a próxima,

    Randerson Figueiredo.
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