• AMIZADE x CUMPLICIDADE – UMA OBSCURA REALIDADE



    Há algum tempo que não escrevo no meu querido Blog Jung na Veia. Mas aqui estou para falar sobre amizade e cumplicidade.

    A maioria das pessoas costuma confundir amizade com cumplicidade, mas de que forma?

    Reconhecemos um amigo quando menos precisamos dele, porque aí se sabe que quando vier alguma tempestade de infortúnios ele se fará presente na pior das hipóteses. Eu falei na pior das hipóteses.

    Já o cúmplice sempre diz que precisa de você a todo momento, que não consegue largar você e diz que você é pau pra toda obra. Que todos os momentos difíceis DIVIDIU com você, momentos de alegria e tristeza, e vacas gordas e magras também.

    O amigo sabemos que ele está ali, mesmo quando o tempo insiste em mantê-lo longe de você. Pode ter uma passagem de tempo de 10, 30, 50 anos mas a amizade ali permanece, inabalável como se nunca estivesse sido quebrantada.

    O cúmplice quer estar sempre perto a todo instante, pois acredita que as suas verdades estarão seguras quando ele está próximo.

    O amigo quanto mais distante ele estiver, mais saberá que sua amizade estará salvaguardada.

    O cúmplice é egoísta, quer a amizade só para si, não permite que o outro saboreie das docilidades reverberadas pelo outro cúmplice que acha que é amigo.

    O amigo quanto mais a amizade é provada mais a amizade se fortalece.

    O cúmplice por qualquer desavença a cumplicidade é dissolvida.

    Na amizade o amor impera, como bem disse Carl Jung: "Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder prevalece, há falta de amor. Um é a sombra do outro."

    É o que se percebe na cumplicidade, há a prevalência de poder um sobre o outro.

    Mais uma vez cito Jung: “O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação.”

    E é justamente isso que ocorre na amizade, essa reação é o amor. A união fraterna entre duas pessoas sejam ou não do mesmo sexo. É essa união sem cobranças que determina também uma grande amizade.

    E por falar em cobranças, outra característica bastante evidente na cumplicidade é a cobrança. Quer seja alguma cobrança moral ou cobrança física... Como por exemplo: sabe aquele dinheiro que eu te emprestei?

    A amizade é atemporal.

    A cumplicidade é manipulada e manipulável.

    Aí vem a grande pergunta: será que a maioria das pessoas com as quais eu me relaciono são cúmplices ou amigos? Será que não estou num emaranhado de farsas e arremates onde os fins justificam os meios? Será que aquele "amigo do peito" sempre foi meu cúmplice e eu não percebi?

    Resta a cada um saber onde o sapato aperta, mas com cuidado, pois algumas pessoas gostam de um bom sapato apertado, na maioria das vezes é a sua única distração.


    Abraço e até a próxima.
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