• A MORTE DO PÁSSARO IDIOTA



    Sempre na família e/ou nos círculos de amizade há a presença de um idiota ou até mesmo no pior dos casos de idiotas. Não cito este termo em sentido de eufemismo, cito em sua forma mais radical e literal por assim dizer.

    Esse idiota pode ser um primo, um tio, um padrinho, cunhado a mãe! Ou até mesmo o pai. Pode ser eu, que escrevo este texto, ou você que assim o lê.

    E essa pessoa, idiotizante e por sua vez idiotizável, permitam-me brincar um pouco com o vernáculo... Na maioria das vezes é uma das melhores pessoas que se pode conviver.

    Pois veja bem: uma pessoa que não reclama, que está sempre disposta a brincadeiras e que na maioria dos casos sempre encontra um jeito de agradar quem quer que seja.

    Vou tratá-lo aqui como um pássaro.

    É tripudiado, humilhado e pisoteado por uma manada de búfalos selvagens sedentos por uma presa. E a presa mais fácil é justamente... O pássaro idiota. Aquele que tanto te serviu nas horas a fio por um ombro amigo é violentamente assassinado.

    Só que esta criatura desprezível tem a capacidade de reagir ao poder emanado dos búfalos bravios e ressurgir emocionalmente mais confiante, mais enérgico e por ventura menos idiota.

    Mas antes desse renascimento existe um ritual de enterrar o famigerado corpo do pássaro idiota em questão. Colocam-no num posto centralizado e ao redor os temíveis búfalos selvagens chegam um a um pra dar seu último adeus.

    E os búfalos que mais bateram no idiota soltam lágrimas portentosas com um arrependimento selvagem e completam:

    - Como ele era maravilhoso.
    - Vou sentir sua falta.
    - Deixou-nos cedo.

    Nesse ínterim o pássaro idiota ressurge com um novo olhar, uma nova visão de mundo e passa a ter um novo nome: o pássaro realista.

    Os búfalos que exercem o poder na sociedade não aceitam essa mudança, querem continuar a bater no antigo idiota, agora realista, para sacramentar de vez a sua partida.

    A coruja, dona do saber, observa tudo atentamente e diz ao realista:

    - Agora que se tornou realista podes observar que tudo não passa de um jogo de poder, um teatro a céu aberto e aqueles que não participam desse jogo já estão condenados. O poder é uma mão invisível que regula a sociedade...

    - O que está querendo dizer com isso, nobre coruja?

    - Que caso não aceite as regras do jogo serás sumariamente eliminado.

    Aquelas palavras da coruja soaram como uma ameaça ao pássaro realista, mas ele não se deu por vencido e continuou sua trajetória, olhando ao redor agora como um realista e não como um mero idiota.

    Quero com essa historinha de búfalos e pássaros demonstrar o quanto somos muitas vezes tratados como idiotas, e que a representação teatral dos nossos semelhantes nos leva a crer que o equilíbrio não é algo que se vende na esquina.

    Muitas vezes partir para o mais simples, para o menos arriscado requer uma dose de confiança e de segurança jamais vista, mas é o necessário.

    E temos essa capacidade: de mudança. Essa é a minha reflexão nesta semana Santa. Se possuímos a capacidade de mudança então avante na estrada da vida. Refletir nossa conduta é sempre a melhor saída.

    A mudança para novos horizontes e quebra de paradigmas requer mais do que uma troca de nomenclatura e sim uma alteração comportamental/emocional/estrutural.


    Até a próxima.


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