• APAREÇO: LOGO EXISTO!



    Não, infelizmente não venho hoje falar sobre o filme O Grande Ditador de Charlie Chaplin ou mais especificamente sobre a cena antológica na qual ele brinca com o globo.

    Mas escolhi essa imagem propositalmente para ilustrar a postagem de hoje justamente por se tratar de um tema capcioso e que requer uma atenção maior.

    Se Descartes estivesse vivo provavelmente a sua épica frase: penso, logo existo ganharia lugar a - Apareço, logo existo.

    Sinceramente leitores, acreditamos que somos os donos do mundo, por isso a escolha da imagem de Chaplin. Temos a tamanha necessidade megalômana em aparecer.

    Não basta ser mais um desconhecido na multidão; a necessidade em aparecer dá o ar da graça a todo instante, seja nas redes sociais, no trabalho ou até mesmo numa reunião de condomínio.

    Você tem que ser visto, notado e aprovado!

    Não interessa se são 10 minutos, 10 horas ou 10 anos. Passar a ser conhecido é o que interessa. A sua vitrine é o seu rosto, e de conhecidos você passa a ter fãs que te azucrinam o juízo pelo Facebook ou pelo Whatsapp.

    Passamos a observar os ditos famosos e a querer imitá-los (alguém se enquadra nisso?) essa é a grande obsessão do momento. Uma vitrine artificial num grande circo armado onde o palhaço adivinha quem é?

    Basta ver essa glamourização com o que aconteceu com a família Hulck, o quase acidente gerou um estardalhaço sem fim, e nem se falou no nome dos piloto e co-piloto e nos nomes das babás.

    É como se a todo o momento fizessem de tudo para alavancar o ibope com tanta sede de poder.

    Casamentos luxuosos, baladas regadas a champanhe da mais alta “catiguria” e fotógrafos prontos para registrarem pseudo-flagrantes de "celebridades" que agonizam descendo até o chão, chão, chão... Pelo tão decaído status de alguma mulher fruta dessa quitanda canastrona chamada Brasil.

    Como bem disse H. L. Mencken: É pecado pensar mal dos outros, mas raramente é engano. Então vou continuar o texto (risos).

    E o pobre... Nem falei do papel do pobre nessa situação toda. Well... O pobre veja bem, ele quer ser igual ao rico e faz de tudo pare sê-lo, se endividando ao máximo para tentar possuir nem que seja por um punhado de dólares a duras e fatídicas prestações um modelo aviador estilo RayBan.

    E a mídia... O que falar dela? É notório que ela se aprofunda em ganhar adeptos a cada dia pelo seu alto poder de persuasão e por se engendrar em todas as camadas sociais.

    As inúmeras selfies que são tiradas a todo o momento mostram e comprovam o quanto somos penduricalhos, o quanto somos marionetes nessa engrenagem chamada vida.

    Deixar de ler Paulo Coelho ou Zibia Gaspareto com medo de ser hostilizado pelos demais e passar a ler Deepak Chopra e Khalil Gibran já é um bom começo para você que pretende ser gente como a gente, e não quer estar em evidência. Não que eu tenha algo contra os titios espirituais acima... Na verdade eu tenho sim.

    Ser nós mesmos, sem holofotes, sem uma grande mídia a te massacrar e sem selfies requer um preço muito alto a ser pago, resta saber até que ponto desceremos do pedestal e enterraremos mesmo que seja por uns instantes nossa tão amada e insuportável vaidade.

    Até a próxima.

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