• QUANDO O SUICÍDIO COMEÇA POR DENTRO


    Há um livro intitulado Vida Ética no qual o autor Peter Singer aborda temas de relevado interesse social, e um deles é sobre o suicídio. Principalmente o suicídio assistido.

    Como o Blog Jung na Veia propõe uma perspectiva mais reflexiva e não tão direta não vou aqui tecer comentários sobre o livro, apenas farei sua devida indicação, pois ele assim merece.

    Antes de mais nada acredito que o suicídio começa por dentro. Morremos pouco a pouco quando somos acachapados por injúrias e quando não estamos preparados para o acertos e desacertos que a vida nos oferece.

    Sempre quando circulo por aqui em Fortaleza percebo nos rostos da maioria das pessoas um ar de conformismo, de resignação, de falta de motivação...

    Pode até ser impressão minha mas essas fotos estampadas nas redes sociais muitas vezes não fazem jus ao estado de espírito que realmente evidenciamos no cotidiano.

    E essa é uma grande problemática existencial. Fazemos de tudo para mostrar aos outros que estamos bem, quando na verdade somos verdadeiros exércitos de zumbis melancólicos.

    Nos matamos pouco a pouco justamente por termos esse verniz da constância prazerosa de (uma falsa) felicidade. Quando deveríamos de fato abrir o jogo para quem quer que seja.

    Ajudamos a China, a Groelândia e até mesmo o Nepal, mas não procuramos ajudar quem está ao nosso lado, e isso é matar um pouco o outro, isso é matar um pouco a si mesmo.

    Matamos cotidianamente nossos sonhos, nossas conquistas e nossos ideais para dar vida a conceitos efêmeros que por si só já não se bastam, precisam do consentimento do outro...

    A o outro, o que seria de nós se não fosse o outro, a visão alheia, e sua ideia anunciada para matar até o fim custe o que custar as nossas reveses infindáveis de amplitude do ser.
    Sim, este texto baseia-se na seguinte ideia de que morremos não por nossa própria vontade, mas também, por uma questão do ser e não ser / do ter vontade e não ter vontade / do ser diferente e não ser diferente a partir de uma visão alheia.

    Morremos mais por causa do outro, dos seus deleites macabros em não aceitar as virtudes como elas são. Essa sociedade na qual vivemos é uma máquina de moer carne... Humana.

    Nos matamos por tão pouco, nos sacrificamos, e nos martirizamos por algo que muitas vezes não vale a pena. Sim, devemos respeitar o olhar diferente daquele que nos rodeia e não baixar a cabeça.

    Somos verdadeiros doutores Kervokians à solta por aí em busca de uma tragédia, em busca de uma vítima que aceite de bom grado morrer, ou melhor, aceite se matar, pouco a pouco, cada vez mais... Por dentro.

    Até a próxima,


    Randerson Figueiredo.
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