• A CEGUEIRA ESPIRITUAL



    Lanço hoje o questionamento cegueira espiritual para refletirmos um pouco.

    Não, não irei abordar a questão puramente teológica, até mesmo porque falta-me conhecimento necessário para tais aferições. Escolher um versículo aqui e outro acolá e discorrer... Não essa não é minha intenção, deixo essa missão aos padres e pastores.

    O que quero abordar aqui é algo mais pessoal, mais íntimo e não menos proveitoso. Quem nunca escutou a frase: 

    "você precisa retirar as escamas dos seus olhos."

    Nunca falamos tanto em Jesus, Deus, Espírito Santo, tantos compartilhamentos de que acreditamos nisso ou naquilo e nossas ações são completamente díspares de tudo isso.

    Crescemos em razão ao passo que em crescimento emocional somos retardatários na linha de chegada do crescimento evolutivo.

    Pensamentos deletérios tomam conta de nossa mente abruptamente e observamos isso com uma passividade monstruosa. É, essa mesma passividade nos levará a um estágio letárgico amoral.

    Sempre escrevo não só no facebook como também no blog em primeira pessoa do plural, pois sou o primeiro a me jogar no balaio de gato que nos encontramos.

    Toma tua cruz e segue-me. Disse Jesus. É justamente essa cruz, essa mensagem da cruz que devemos seguir. Amar a mensagem que a própria cruz nos transmite.

    Oscar Wilde disse certa feita que não devemos dividir as pessoas em boas ou más, mas em encantadoras ou chatas. E acredito que ele está certo. Partir desse princípio nos leva a uma constatação sensível: erramos para buscar o acerto.

    O que seria da escuridão se não fosse a chama rediviva do processo de criação do homem?

    O que seriam de nós sem os grandes mártires que lutaram por ideais da coletividade?

    E é bom frisar que esses mártires carregaram uma cruz e tanto, corroborando a ideia e o ideal de altruísmo, deixados pelo grande mestre Jesus Cristo.

    Tanta filosofia, tanta razão, tanto Nietszche, tanta academia intelectual para padecermos num mar sem fim de inglória e injustiças.

    E vamos indo... Com tantos rebuscamentos perniciosos e falaciosos e questionamentos sem sentido vamos indo rumo a ladeira rezando o padre nosso em latim e fazendo o sinal da cruz com a mão esquerda...

    Ou seja, fazendo tudo errado, é aí que está nossa cegueira espiritual, quando não enxergamos o que está a um palmo do nosso nariz, quando o nosso irmão padece ao nosso lado e queremos ajudar as borboletas azuis de Israel num ato de heroísmo e num gesto puramente humanitário.

    E obviamente só falar não serve para absolutamente nada. Ação. A palavra é essa. Esse texto reflexivo não adiantará de nada se não agirmos o quanto antes em busca do colírio que nos restabeleça a visão cansada que a vida nos impõe diuturnamente.

    E esse colírio tem nome, chama-se: vergonha na cara. Na minha (que escrevo) e na sua que lê isso aqui. Tem gente que põe esse colírio sozinho, egoisticamente, outros necessitam da ajuda de outrem. Abrindo a boca e tudo enquanto cai a gota nos olhos.

    Essa é a nossa missão, esse é o nosso papel. Sermos alertados e alertar os outros para os infortúnios que rondam nossa existência, não de forma cáustica e ferina, mas de forma a ilustrar a vida como nossos pais faziam quando éramos crianças de forma sutil quando diziam: olha o aviãozinho...


    E fazendo isso seremos melhores, seremos fraternos, seremos dispostos a semear o pequeno grão de mostarda que poderá um dia brotar dos corações mais bravios e liberar as escamas que impedem de vermos a plena espiritualidade.
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