• TELHADO DE VIDRO



    Somos todos pecadores sem exceção. Se aceitarmos essa máxima como verdade poderemos enfim caminhar para a celebrar a centelha rediviva divina.

    O texto de hoje é mais do que alusivo ao próprio telhado de vidro, refere-se às perturbações que passamos e procuramos enveredar por caminhos tortuosos em busca de situações efêmeras, ou seja, passageiras.

    Ninguém tem o direito de atirar pedras em quem quer que seja com o intuito de ferir o irmão a quem foi desferido o golpe. Todos temos telhados de vidro.

    O nosso manual antropológico, sociológico e psicológico... A Bíblia nos ensina que devemos sempre perdoar quem quer que seja, ou seja, a palavra maior nos revela que o perdão é palavra edificante.

    Vamos a uma passagem do Evangelho que traduz bem o que desejo exprimir: a passagem da mulher adúltera.

    Os escribas e fariseus levaram uma mulher que havia sido pega em adultério à presença de Jesus, conforme relatado na passagem abaixo, em João 8.1-11.
     8.1 - Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras.8.2 - E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.8.3 - E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério.8.4 - E, pondo-a no meio, disseram-lhe. Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando,8.5 - e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?8.6 - Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.8.7 - E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes. Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.8.8 - E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.8.9 - Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio.8.10 - E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe. Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?8.11 - E ela disse. Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus. Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais.

    Jesus é sensacional! Não existem adjetivos para qualifica-lo o suficiente para que mostre a sua misericórdia infinita de pura bondade e resiliência.

    O que o Evangelho traduz é que a mácula pode ser suplantada por caminhos honrosos da chama viva de Deus em nossas vidas, sem medir esforços para alcançar a plenitude.

    O último versículo quando Jesus diz: vai-te e não peques mais é de arrepiar até mesmo os corações mais endurecidos, porque até esses que se fazem de fortes o tempo inteiro tem em seus átrios e ventrículos o sangue purificador daquele que morreu por nós.

    A nossa missão, acredito eu, é que possamos desempenhar nosso papel aqui neste planeta e também ajudar o semelhante nos seus caminhos, com retidão e perseverança. Não estamos aqui para atrapalhar ninguém.

    Referente ao título desta postagem poderia citar outra passagem, como a da trave e do argueiro no olho do irmão... Lembra dessa? Até já falei sobre essa passagem em uma das postagens aqui no blog.

    Pois bem, essa passagem também inspira outros questionamentos, mas dentro dessa ideia, claro.

    Voltando a falar sobre a passagem da mulher adúltera, Jesus nos revela que todos nós temos telhado de vidro, e, portanto não podemos jogar pedra no telhado dos outros.

    É essa a ideia que defendo no texto, já que somos perecíveis e meros mortais, que possamos enxergar com abundância as virtudes que Deus preparou para nós. Sem apontar os defeitos alheios.

    Não digo deixar o irmão de lado, no obscurantismo espiritual do erro. Não, não é isso. Muito pelo contrário, que olhemos para o outro com compaixão e misericórdia.

    Que possamos olhar para o outro com bondade e alegria e saber que o outro também é um ser humano com erros e acertos, com ousadia e resignação, com afeto e destempero e principalmente com fé e determinação.

    Como bem disse Santa Teresa D’ávila:
    “A amizade com Deus e a amizade com os outros é uma mesma coisa, não podemos separar uma da outra”.

    E que esse amigo, chamado Deus, que está refletido no outro possa espelhar no telhado de vidro de cada um a altivez de um grande pai, mas também a doçura e vitalidade de uma grande mãe.

    E que antes de jogar nossas pedras de discórdia seja em que telhado for, que abramos os olhos físicos e espirituais para saber qual caminho devemos seguir, afugentando todo tipo de mazela e desesperança.

    Blindar o nosso telhado, blindar a nossa vida contra qualquer ameaça que possa vir a nos atingir. Tendo sempre em mente que a maior blindagem vem do alto, vem de cima, vem de Deus.


    Até a próxima se Deus quiser.
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