• # SÉRIE PECADOS CAPITAIS # 4 # PREGUIÇA – PECADO EM IR TÃO DEVAGAR



    “São os ociosos que transformam o mundo,
    porque os outros não têm tempo algum”.
    Albert Camus

    Continuando nossa série sobre pecados capitais confesso que hoje me senti representado em relação à preguiça. Sim sou preguiçoso, mas não me considero uma pessoa improdutiva.

    Não sou um vamos dizer assim procrastinador a ponto de deixar todos os meus afazeres serem levados pelo vento. Como diz a música: “camarão que dorme a onda leva”...

    A procrastinação é irmã gêmea da preguiça e por isso merece uma ressalva neste texto. Tudo que dá trabalho gera preguiça. E esse trabalho por mais que seja algo realmente prazeroso vai te deixar com uma vontade de deitar naquele sofá e acordar só no outro dia.

    É meu caro, a preguiça realmente pode ser considerada algo ruim? Acredito que não, sinceramente. Pode ser considerada um ato de rebeldia? Possivelmente... Vamos à análise.

    “Vai trabalhar vagabundo”, diz aquela música do Chico Buarque, pois no dicionário Aurélio, a palavra preguiça significa aversão ao trabalho, mas também como “morosidade, negligência, moleza, indolência”.

    Quando nos apresentamos a alguém a primeira coisa que perguntamos é: o que você faz?

    A partir dessa resposta trataremos aquela pessoa com distinção ou não. É assim que somos, é assim que fazemos.

    Acredito que temos direito ao famoso ócio criativo, algo para ficar marcado em nossas ações em relação ao que podemos fazer de útil diante de algumas circunstâncias, pensar, refletir obre algo.

    Defendo o direito de andarmos devagar, como diz aquela música também: “ando devagar, porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais”.

    Ir um pouco mais devagar não significa que somos preguiçosos, significa que necessitamos de algo para refletir uma correria que muitas vezes não tem sentido.

    Corremos tanto para buscarmos exatamente o quê? Dinheiro? Um curso de nível superior? Um amor? Esse último então parece que quanto você mais corre mais ele se afasta de você.

    Para os gregos trabalho era tudo que fazia suar, ou seja, condição digna dos escravos e não para os cidadãos de primeira classe que utilizavam o seu tempo para a filosofia, o estudo, a poesia e a política. Eram expressões mentais, ociosas.

    Para arrematar o texto de hoje, quem prega o evangelho do andar-sempre-depressa acredita nas seguintes frases: a vida é curta, tempo é dinheiro, precisamos correr... Entre outras.

    Devemos viver o máximo, aproveitar o máximo, gozar o máximo. O ócio e a preguiça devem ser evitados a todo custo. O problema é que certas coisas não podem nem devem ser apressadas. Elas levam tempo, precisam de lentidão. Quando aceleramos coisas que não devem ser aceleradas, quando esquecemos como é possível moderar o ritmo, sempre pagamos um preço.

    E este preço tem sido cada vez mais alto. Estamos cada vez mais ansiosos, mais deprimidos, mais doentes do corpo e da alma. E toda esta velocidade certamente contribui para este mal-estar contemporâneo.

    Num mundo que sempre anda com tanta pressa nada mais revolucionário do que ir devagar, nada mais rebelde do que ser um pouco preguiçoso.


    Está lá na Bíblia: “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia” (João 3:4). Então, que sejamos rebeldes. Viva o ócio! Viva a vagareza! Viva a preguiça!
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