• # SÉRIE PECADOS CAPITAIS # 5 # AVAREZA – DEUS EM SEGUNDO PLANO



    Continuando nossa série Pecados Capitais hoje o tema será sobre Avareza, ou seja, quando Deus fica em segundo plano em detrimento dos bens materiais.

    Sempre que lembro de avareza me vem a mente o personagem do Tio Patinhas. Mas hoje como sempre costumo fazer, trago essa questão à luz do Evangelho.

    A seguir são apresentados alguns versículos bíblicos, provenientes de várias partes da bíblia, ou de vários livros nela embutidos, que falam da avareza e do que os avarentos podem e devem esperar como castigo:


    1) “Acaso alguém pode esconder fogo consigo sem que se queime a sua roupa?” (Provérbios, 6:27)

    2) “Quem esconde o trigo será amaldiçoado pelo povo; mas a benção está sob os que vendem” (Provérbios,11:26)

    3) “Quem confia nas suas riquezas cairá; os justos, porém, como folhas verdes germinarão” (Provérbios,11:28)

    4) “Há quem seja tido por rico, e nada tem; e há quem se faz de pobre, possuindo muitos bens. A garantia da vida de um rico são as suas riquezas; quem é pobre não sofre ameaças” (Provérbios,13: 7 e 8)

    5) “Quem é bom deixa herança para filhos e netos, a riqueza do pecador é guardada para o justo” (Provérbios,13:22)

    6) “Para que serve o dinheiro na mão do insensato? Para comprar a Sabedoria, se ele não tem Juízo?” (Provérbios,17:16)

    7) “Quem ajunta tesouros com língua mentirosa, o vento lançará nos laços da morte” (Provérbios, 21:4)

    8) “Mais vale um bom nome do que muitas riquezas; acima do ouro e da prata, o bom acolhimento” (Provérbios, 22:1)

    9) “Não te afadigues para enriquecer mas, com tua prudência, acalma-te. Se levantares os olhos para as riquezas, elas já desapareceram: pois se cobrem de penas como águias e voam pelos ares” (Provérbios, 23:4 e 5)

    10) “Tem pressa em ficar rico o ambicioso, e não sabe que a indigência vai cair sobre ele” (Provérbios, 28:22)

    11) “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lucas 12:15)

    12) “Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos” (Timóteo, 6:10)

    13) “Seja a vossa vida sem avareza. Se você deseja ter a salvação, uma das medidas é deixar de ser avarento, abra os seus olhos, e vigie para que este sentimento não venha amarrar a sua vida e atrapalhar o seu sonho de conquistar a salvação” (Hebreus, 13:5).


    Essas passagens bíblicas nos fazem refletir o quanto ainda necessitamos aprimorar nosso lado espiritual em relação aos bens pecuniários.


    Para Freud, na teoria psicanalítica, o dinheiro para o avarento é, um objeto de desejo. Para o pai da psicanálise, em sua obra “As transformações do instinto exemplificadas no erotismo anal”, de 1917, o erotismo anal (advindo da retenção de fezes – encoprese - e incontinência fecal na fase da primeira infância) tem equivalência simbólica ao dinheiro.

    Freud (1917) apontou que alguns indivíduos se distinguem de outros por determinados traços de caráter e que esses traços se referem à: 1) ordem, 2) parcimônia e 3) obstinação. No caso do avarento, o traço da parcimônia é o que prevalece através de um exagerado esmero a assuntos econômicos e financeiros.

    A retenção feita na fase anal é transformada através do mecanismo de sublimação, fazendo com que o avarento despenda bastante tempo de sua vida para a superação dessa fase através da retenção de dinheiro. É quando Freud (1917) relaciona dinheiro às fezes:

    [...] onde quer que tenham predominado ou ainda persistam as formas arcaicas do pensamento - nas antigas civilizações, nos mitos, nos contos de fadas e superstições, no pensamento inconsciente, nos sonhos e nas neuroses - o dinheiro é intimamente relacionado com a sujeira. Sabemos que o ouro entregue pelo diabo a seus bem-amados converte-se em excremento após sua partida, e o diabo nada mais é do que a personificação da vida instintual inconsciente reprimida. Também conhecemos a superstição que liga a descoberta de um tesouro com a defecação, e todos estão familiarizados com a figura do ‘cagador de ducados’ [Dukatenscheisser]’. Na verdade, segundo as antigas doutrinas da Babilônia, o ouro são ‘as fezes do Inferno’ (Mammon = ilu manman). Assim, aqui como em outras ocasiões, a neurose, acompanhando os usos da linguagem, toma as palavras no seu sentido original e significativo; parecendo utilizá-las em seu sentido figurado, está na realidade simplesmente devolvendo a elas seu sentido primitivo [...] (FREUD, 1917, 162-164).

    Para Freud (1917) acontece com o sujeito a transferência da impulsão primitiva para o objetivo emergente, pois ele enxerga os caráteres citados acima como prolongamentos inalterados dos instintos originais ou mesmo a sublimação desses instintos como reações contra eles mesmos. O autor afirma que “a defecação proporciona a primeira oportunidade em que a criança deve decidir entre uma atitude narcísica e uma atitude de amor objetal. Ou reparte obedientemente as suas fezes, ‘sacrifica-as’ ao seu amor, ou as retém com a finalidade de satisfação” (FREUD, 1917, p.139).

    Assim, as fezes, que são tidas pelo bebê como o seu primeiro presente concreto, transferem-se simbolicamente à coisa mais valiosa do mundo: o dinheiro. Disso surge o prazer parcimonioso do avarento em guardar dinheiro como lembrança do prazer inconsciente infantil de reter as fezes.

    Outra questão é que a Igreja trata a questão da avareza com a idolatria, ou seja, idolatram um outro deus: nesse caso o dinheiro. A partir do momento que fazemos essa troca estamos ferindo a tradição cristã.

    Assim, a avareza enquanto prazer em acumular bens materiais fere as virtudes da Generosidade (que é o dar sem esperar receber) e da Caridade (que é a manifestação de disposição ao outro, podendo esta disposição ser material).

    Aqui, é como se o que é tido como pecado e o que é considerado virtude não pudessem coexistir, pois um anula o outro. A generosidade é tida como o maior combatente da avareza.


    Então que sejamos generosos sem perder a graça de estarmos na graça de Deus. E que possamos nos acautelar com distinção quando escutamos a seguinte frase: o dinheiro é um bom escravo e um mau senhor.
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