• A CONQUISTA DO ESTADO (POSTAGEM ESPECIAL)



    Hoje estava garimpando meu pequeno acervo de livros e encontrei um best seller das ciências políticas sobre o regime militar, o livro se chama 1964 - A conquista do estado de René Armand Dreifuss.

    O título do meu texto de hoje é justamente referente a esse período, mas também referente ao que acabou de acontecer.

    Não me canso em observar as "coincidências" absurdas daquele período e hoje, o que aconteceu com Dilma Rousseff. Sim, apesar de não concordar na sua totalidade com a visão esquerdista de René Dreifuss ela foi vítima de um golpe.

    UM GOLPE DE CLASSE! Sim, porque quando li esse livro e comparando os fatos, creio que as divergências se complementam com algo muito maior, que é justamente o jogo de interesses.

    Vamos recorrer à história... Sabia-se que o afastamento de Jango, um presidente considerado fraco e refém dos sindicalistas de esquerda, iam ao encontro dos interesses do grande capital.

    Sabia-se também que as manifestações públicas da classe média nos últimos dias do governo civil haviam dado o empurrão final no presidente. Ou seja, a classe civil foi muito importante para sua derrocada.

    Leia-se aí classe média e empresariado.

    Não sei se vocês repararam, mas o dólar caiu depois que Dilma saiu. E pode se preparar porque a terceirização vai comes de esmola, pra valer, mesmo. Sim porque os empresários mais do que nunca irão dar as cartas.

    Membros da FIESP e no caso aqui FIEC estão vibrando com o ocorrido.

    A Federação das Indústrias é uma espécie de Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), fundado em 1961. Representam um conceito de vanguarda para as questões empresariais, que estão em busca claro de seus objetivos.

    O complexo Ipes/Ibad se tornava o verdadeiro partido da burguesia e seu estado-maior para a ação ideológica, política e popular, fomentando o que havia de pior: um golpe!

    O que mais me impressiona é a constante cíclica da história, quando as situações se repetem, com novos personagens claro, mas a sua essência é a mesma...

    Como bem disse Goethe: escrever a história é um modo de nos livrarmos do passado. E como indicou Dreifuss em seu livro arrebatador e fascinante, o golpe aqui no Brasil é sim de classe, é da mídia, é da classe média, do empresariado (que mandam e desmandam aqui).

    O livro parece que resistiu ao tempo, inclusive foi reeditado pela editora Vozes, não é necessário correr atrás dele em sebos, são 900 páginas de pura história que te mostra o caminho das pedras para entender um pouco mais a triste situação que assola esse país.

    Não sou de esquerda, aliás dizer que é isso ou aquilo é meio temeroso, vou trocar a palavra por perigoso (você deve ter entendido o porquê). Apenas analisando esse intrincado golpe vejo que tudo foi maquiavelicamente arquitetado.


    Torço por você Dilma, torço por todos que acreditam na melhoria desse país, por você que lê esse texto e tem em mente crescer para fazer crescer o outro, o semelhante. Orgulho de você, Dilma, tchau querida.

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