• PORQUE GOSTAMOS DE QUEM NÃO GOSTA DA GENTE?



    "O amor é um andarilho que muitas vezes vive só, mas também acompanhado."
    Randerson Figueiredo


    Sinceramente se eu tivesse essa resposta concretamente estaria num mar de rosas, muito rico e provavelmente satisfeito em ter as prateleiras esgotadas por todos terem comprado meu livro de auto-ajuda.


    Como não a tenho de forma simples e direta vamos às questões que se coadunam com nossa realidade.


    Tendemos, eu disse tendemos, a gostar de quem não dá a mínima pra gente. Ficar com elucubrações filosóficas é a melhor saída, a questão é mais do ser, questão ontológica mesmo.


    Aí vem um garotinho mimado chamado EGO, sim, quando ele é frustrado sai de baixo, quer por que quer aquilo que muitas vezes não lhe compete, faz birra e tudo mais.


    Mas aí é que está o lado positivo da situação. A frustração do ego é necessária para que amadureçamos e dessa forma enxergar uma via, um outro caminho que nos leve a um descansar da nossa arrogância.


    E por falar em arrogância, passamos a absorver situações extremas que exacerbam nossa personalidade e dificultam nossa carga emocional, facultando vírus psicológicos, cargas, pensamentos deletérios.


    Há também a questão do orgulho. Eu te trato bem, levo flores, compro bombons, sou gente boa mas mesmo assim não queres ficar comigo? Esse orgulho é ativado quando somos rejeitados. Queremos a todo custo conseguir "a conquista".


    Infelizmente tendemos a agir como crianças birrentas. Essa característica só faz com que existam situações vexatórias e que causam mal-estar a todo momento.


    A realidade é nua e crua, e muitas vezes cruel. Mas o real é o real, não é o dólar, o iene, a libra... Encarar a frustração de um amor não correspondido é melhor do que se frustrar depois do baque, pois aí você já está envolvido e vai dizer: mas você não era nada daquilo que eu pensava... Como se diz: pior.


    Conselheiro amoroso? Eu? Nem pensar, apenas estou expondo meus pensamentos a respeito de um assunto que nos motiva sempre a ir em busca de um ideal quase que inatingível.


    Lembrei-me agora daquele texto de Carlos Drummond de Andrade -


    Quadrilha:

    João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.


    Idealizamos demais, pensamos demais, nos sujeitamos demais. Essa é a questão. Pensamos que aquela pessoa que a gente acredita gostar é na verdade um ser de outro mundo, uma deusa/deus (no caso das mulheres).


    E na verdade não é.


    VA-LO-RI-ZA-ÇÃO. Valorize-se. Ame-se e seja exatamente quem você é. Sem tirar uma vírgula ou ponto. A questão é que mentimos para atrair a parceira/parceiro. Mascaramos.


    Muitas vezes a pessoa que mais nos valoriza está ao nosso lado, um morrinho de areia, e quando nos damos conta queremos escalar o Himalaia atrás de outra pessoa, só que esse morrinho de areia pode se transformar num castelo não mais de areia, mas de concreto, um concreto tão firme que ninguém será capaz de derrubar.


    E ninguém muda ninguém, tentar mudar o outro é uma tarefa quase impossível como bem disse o nosso velho amigo Jung. Eu tiraria a palavra quase. Pois muito bem, isso tudo é uma questão conjuntural e não somente estrutural, afinal de contas o amor é um andarilho que muitas vezes vive só, mas também acompanhado.

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