• QUANDO DEUS FRACASSOU E A PROBLEMÁTICA DO MAL



    Quando fazia o catecismo obviamente tinha uma visão muito rasa a respeito do Santo Evangelho e, por conseguinte não conseguia distinguir com muita facilidade a maldade disfarçada de bondade.

    E por não saber fazer essa distinção, e até hoje não sei muito bem, derrapava muitas vezes em incoerência ideológica e emocional que me faziam muito mal, e de certa forma tentar encontrar o fio da meada de todo esse escárnio metafísico requer doses de paciência e discernimento espiritual.

    É isso que trato o texto de hoje, será que Deus fracassou conosco? Ou será que fracassamos com ele? Essa pergunta não é tão simples assim de responder.

    Mas vamos a alguns questionamentos.

    Será que chegamos a era do niilismo (segundo o dicionário Houaiss:
    1  redução ao nada; aniquilamento; não existência
    2        ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência
    3        total e absoluto espírito destrutivo, em relação ao mundo circundante e ao próprio eu) de forma tão pungente?

    E quando se fala nesse assunto chegamos a questão do mal, que a meu ver se apresenta de duas formas bem distintas: mal ativo e mal passivo, aquele que age e aquele que sofre.

    Ou seja: a maldade propriamente dita e o sofrimento. O primeiro aliena e o segundo tortura. Pois como já disse e expliquei em outro texto sobre o sofrimento, ele não é imposto por Deus.

    Mas desse posicionamento advém algo mais perturbador: o sofrimento é consequência de uma culpa e essa culpa está atrelada a um sentimento de derrota, pois a culpa é sempre problemática. Do ponto de vista do outro, claro.

    Se matou tem que morrer, se foi culpado tem que pagar, se enganou deverá também ser enganado e por aí vai. Ou seja, se há sofrimento é porque houve uma culpa. A lei de Talião dando o ar da graça sempre.

    Nós mesmos procuramos questões metafísicas que não devem ser solucionadas com um piscar de olhos e sim analisadas por um viés de caráter social, psicológico e mais do que tudo filosófico.

    Não analisamos nada e sim julgamos, aí está a grande jogada, ou melhor a pior delas. Não vou nem citar o Evangelho para não destoar do restante do texto, mas para bom entendedor...

    Ao invés de perguntarmos de quem é a culpa, deveríamos nos indagar: qual é a causa?

    A questão do fracassar ou não fracassar tem haver com uma questão ontológica, lembrei agora de Hannah Arendt no julgamento de um dos algozes do regime totalitarista (Banalidade do Mal).

    Deus por se tratar de um Ser-Não Ser, subjetivo e tão objetivo quanto, nos faz acreditar que a propagação do mal é mais intrínseca do que extra-corpórea e que sua finalidade nada mais é do que aprimorar nosso estado letárgico amoral do Ser-Vir.

    Para arrematar de vez e concluir coloco ainda mais um adendo muito simples: quando de fato iremos nos responsabilizar pelos nossos atos e acreditar de uma vez por todas que somos heróis e ao mesmo tempo antagonistas? Não, não é só dualidade que estou falando.

    É algo muito mais profundo, quando iremos acreditar que o nosso lado negativo, a sombra como analisou Jung, irá nos levar nas profundezas do mar sem fim de maravilhas?

    A resposta é clara: quando não tivermos vergonha de assumir nossas indagações e quando a sombra se tornar uma grande verdade, assim como uma chama clareia um breu, uma luz na escuridão.

  • Você pode gostar também

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Os comentários passam por um sistema de moderação, ou seja, eles são lidos por mim (Randerson Figueiredo) antes de serem publicados. Não serão aprovados os comentários:
    - não relacionados ao tema do post;
    - com pedidos de parceria;
    - com propagandas (spam);
    - com link para divulgar seu blog;
    - com palavrões ou ofensas a pessoas e situações;