• A REAL NATUREZA HUMANA



    “A consciência é a mola mestra que define o grau de maturidade e desenvolvimento de um indivíduo.”Randerson Figueiredo.

    Estava a pesquisar sobre a natureza humana e deparei-me com textos da filosofia oriental clássica. Não tenho tanto conhecimento sobre esse assunto, mas acredito que poderemos tecer alguns comentários a respeito.

    Os confucionistas no século III a.C. Mêncio e Xunzi tomaram como base algumas situações para estabelecer o que de fato está entrelaçado à natureza humana.

    Para Mêncio: “todos tem um coração sensível aos sofrimentos de outros. Os grandes reis do passado tiveram este coração sensível, e políticas cheias de compaixão foram adotadas. Trazer a ordem ao reino é tão fácil quanto mover um objeto na palma de sua mão, e quando você tem um coração sensível tenta sempre pôr em prática políticas de compaixão.”

    Xunzi disse: A natureza do homem é má. Bom é o produto humano. A natureza humana é tal que os povos nascem com amor ao lucro, e se seguirem essa inclinações, eles lutarão e arrebatar-se-ão uns aos outros, e as inclinações ao dever e a produção morrerão. Eles nascem com medos e ódios.

    Se os seguirem, transformar-se-ão em violentos e tendenciosos, indo de contra a boa fé, que morrerá. Se forem indulgentes, a desordem da licenciosidade sexual resultará na perda dos princípios rituais e da moral.

    Em outras palavras, se o povo agir de acordo com a natureza humana e seus desejos, eles inevitavelmente lutarão, arrebatar-se-ão, violarão as normas e agirão com violento abandono.

    Conseqüentemente, somente depois de transformados por professores e por princípios rituais e morais, conforme a cultura, poderão permanecer em boa ordem. Visto por este lado, é óbvio que a natureza humana é má, e bom é o produto humano.

    Extratos do Livro de Mêncio e do Livro de Xunzi.

    Sinceramente, depois de todos esses argumentos filosóficos estou com Xunzi. Muitos vão me chamar de pessimista, mas não é questão de pessimismo é a realidade.

    Pode observar que Mêncio e Xunzi são adeptos da educação como mola propulsora para desenvolver bons hábitos e delinear bons aspectos que fomentem uma boa conduta.

    Partindo da filosofia oriental para a ocidental iremos perceber uma discreta linha tênue que entrelaça as duas linhas de pensamento: tanto a oriental quanto a ocidental.

    Se pegarmos Xunzi como exemplo que diz que a natureza humana é má, e bom é o seu produto iremos recair na velha história de Adão e Eva, Sodoma e Gomorra, Caim e Abel...

    O que os levou a agir desta forma?

    E se a educação pautada por Mêncio e Xunzi fazem tanta diferença assim, porque pessoas que são tão impolutas e educadas ao extremo costumam a agir de forma inadequada quanto a questão moral e ética? Era para ser ao contrário não é mesmo?

    Será que a educação lapida ou o mal realmente está conosco?

    As transgressões morais fazem parte de nossa alçada. Até aí tudo bem, mas até que ponto somos realmente seres capazes de tudo para conseguir nossos objetivos?

    Xunzi considerou a perspectiva de Mêncio demasiadamente idealista. E por essa razão,  a natureza humana seria má, selvagem, idêntica a natureza dos animais que se juntariam em bandos para caçar, matar e procriar.

    No entanto, este mesmo ser humano precisou estabelecer limites que assegurassem sua existência, sendo capaz de gerar uma ideia de lei e justiça que intermediaria seus conflitos com o outro.

    Xunzi entendia ser isso um Saber social (Cultura), ou seja, um sistema de reprodução da sociedade que disciplinava seu modo de vida, vinculada, fundamentalmente, a questão da educação, que seria a transmissão desta estrutura entre gerações.

    Vemos aí, novamente, o problema dos estudos aparecendo como um fator primordial na ótica confucionista. Xunzi era pessimista, mas não descrente do ser humano: pelo contrário, acreditava que mesmo esse ser, de natureza vil, era capaz de articular um modo de vida que respeitasse os limites alheios.

    Logo, se a China de sua época vivia uma crise, era porque realmente as pessoas não estavam sendo bem educadas: e isso permitia que seus instintos primitivos aflorassem em toda a sua força.

    O ser humano tinha todo o potencial de ser bom, mas disso dependia que toda a sociedade exercesse uma pressão constante sobre si própria e sobre os governantes para regular suas ações, e disseminar a prática do bem e da cultura.

    Eram necessários princípios rígidos na avaliação do cotidiano. E assim sendo, valendo-se de suas forças, a humanidade não dependeria mesmo do Céu, para sobreviver.

    Essa questão da educação nos coloca em outro nível de questionamento: pode uma cultura (a educação em si) lapidar de vez, modificar o espírito de um povo?

    Caberia a meu ver a sociedade instruir cada pessoa. O que de fato "acontece".

    Mas a índole caberia à consciência de cada um, de cada ser, de cada cidadão.

    Diante disso, somente a consciência poderia determinar, realmente, o caminho a ser tomado pelo indivíduo, fosse qual fosse sua índole natural. A educação seria um instrumento, mas não capaz de moldar de uma vez por todas o caráter de um indivíduo.

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