• A VISÃO DO FAROLEIRO



    Hoje caro leitor estou aqui para falar sobre a visão do faroleiro. O profissional que trabalha com faróis e que luta bravamente para se manter de pé diante das dificuldades.

    Essa profissão de faroleiro tem muitos significados, uma das mais importantes é justamente servir de guia às embarcações para seu local específico.

    Também salvaram muitas vidas e são responsáveis de manter em perfeito funcionamento aquele que é considerado em áreas isoladas um porto seguro aos navegantes.

    É essa visão que desejo demonstrar hoje com esse texto.

    Uma profissão tão importante que servirá de base para essas linhas que escrevo.

    Atribuições dos faroleiros:

    a)    Desempenhar as funções com toda dedicação, no sentido de manter o estado de limpeza, conservação e eficiência do farol ou balizamento;
    b)    Fazer os quartos de serviços de acordo com o respectivo detalhe organizado pelo Encarregado do farol e registrar no Livro de Quarto todas as ocorrências que se derem no farol;
    c)     Não permutar serviço sem autorização do faroleiro Encarregado do farol;
    d)    Não se ausentar do farol sem licença do Encarregado;
    e)    O faroleiro de serviço diurno do nascer ao pôr-do-Sol, tem sob sua responsabilidade a guarda do farol, zelando pela segurança, limpeza interna e externa, registrando no livro de quarto todas as ocorrências e alterações verificadas, dando ciência ao Encarregado de qualquer anormalidade;
    f)    Morar nas casas que lhes são destinadas, zelando pelo seu asseio e conservação, e o mais próximo possível do recinto do farol quando não houver residência oficial;
    g)    Não permitir visita ao farol durante o serviço noturno;
    h)    Levar ao conhecimento do Encarregado qualquer ocorrência estranha à rotina do Serviço;
    i)    Prestar todos os socorros possíveis e ao seu alcance aos navegantes em caso de encalhe e naufrágio, inclusive asilo, fazer comunicação para socorre-lo;
    j)    Não abandonar o seu posto de Serviço a fim de que a vigilância não sofra interrupção, quer de Serviço diurno ou noturno;
    k)    Conviver em harmonia e usar de toda urbanidade com todos os funcionários do farol e com estranhos em objeto de visitas;
    l)    Apresentar-se devidamente uniformizado, mesmo em fainas; e
    m)    No início e no regresso de licença ou férias, apresentar-se sempre ao Encarregado do farol.

    E como se sabe, o faroleiro cuida do farol, responsável por mostrar o melhor caminho para as embarcações, o caminho mais seguro, mais confiável.

    A visão do faroleiro é justamente essa: confiança.

    Confiança de que tudo dará certo e que apesar dos pesares ele realizará o seu melhor trabalho.

    Ou seja, sua visão é de fundamental importância a todos. Ela que garantirá um aporte seguro.

    Outra palavra também muito forte: responsabilidade. Afinal de contas está nas mãos dele fazer o seu melhor e procurar não cometer erros.

    E assim podemos ser como os faroleiros, cuidar do farol que ilumina nossas vidas. O nosso coração e a nossa mente.

    Agora apresento um belo poema sobre ser faroleiro.

    SER FAROLEIRO

    É uma vocação forte, persistente, permanente
    É abraçar um trabalho nobre, anônimo, silencioso
    É orgulhar-se de seu serviço e de sua profissão
    É ser auto-responsável
    É ser honesto, acima de tudo, consigo mesmo.

    É amar o seu farol como a si mesmo
    É sentir seu funcionamento
    É conhecer cada uma de suas partes
    É ter intimidade com cada uma de suas peças ou parafusos
    É esquecer o calendário e atentar para os nascer e ocasos do sol

    É debruçar-se sobre o livro de quarto...
    É dar prioridade ao essencial em detrimento do supérfluo
    É saber economizar o perecível
    É estar capacitado a obster-se dos confortos das cidades
    É saber viver em silêncio e conviver com ele
    É conviver com as ausências e compartilhar as carências

    É contemplar a natureza, admirá-la e conserva-la, ainda que longe de tudo e de todos, sem testemunhas
    É tentar conhece-la, entende-la e respeitá-la
    É não temer o mar, mas aprender a vencê-lo
    É poder sentir o seu cheiro e o gosto da chuva
    É poder ver a chegada e a partida das tempestades

    É comprovar que, depois, sempre vem uma bonança
    É presenciar o mar encrespar-se e espelhar-se
    É saber tirar ensinamentos das situações ruins
    É lembrar-se dos seus antecessores e mirar-se neles
    É ter a certeza de que muitos já sofreram, ali mesmo, situações piores e venceram

    É saber dividir o dia e aproveitar-se de suas 24 horas
    É bem empregar todo o tempo que a vida lhe dá
    É resistir às noites de vigília
    É poder trabalhar, estudar, ler e divertir-se
    É descobrir um passatempo para não enlouquecer

    É poder admirar o mar, o sol, o céu, as estrelas
    É ter consciência de que pode ver e fazer coisas de que nenhum outro ser humano é capaz
    É saber desfrutar o que de bom a vida lhe oferece, a cada momento, a cada instante
    É sonhar com as nuvens

    É saber pensar e dedicar-se às reflexões
    É ser forte e resistir às tentações
    É não se deixar vencer
    É ser corajoso e decidido
    É inventar e criar

    É ter a certeza de que cada navio, à sua vista, depende dele
    É ansiar por sua chegada
    É contentar-se com os amigos que vêm, raros, de quando em quando
    É pressentir a saudade aos vê-los partir
    É quardar quantas histórias que terá para contar

    É ser profissional, marido, pai, chefe e subordinado, tudo ao mesmo tempo
    É saber conviver com a família e o trabalho
    É transformá-los em lazer
    É saber aliviar suas tensões
    É conseguir adaptar-se a meio, ao momento, metamorfosear-se

    É, enfim, e acima de tudo, saber ser Faroleiro.


    Fonte do poema: A HISTÓRIA DA SINALIZAÇÃO NÁUTICA BRASILEIRA de NEY DANTAS
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