• O GRANDE DELÍRIO DE RICHARD DAWKINS



    Dando continuidade a série Pedagogia de Deus, hoje nosso personagem será Richard Dawkins, autor do livro: Deus, um delírio e suas perspectivas quanto ao ateísmo, fundamentalista, diga-se de passagem. Escreveu outros livros como O relojoeiro cego.

    Logo na página 64 de Deus, um delírio ele define Deus como um “delinquente psicótico”, inventado por pessoas loucas e iludidas.

    Na página 394 ele argumenta a respeito da fé: “É um mal impensante, porque não exige argumentação lógica e não exige justificação.”

    A todo momento nesse livro, o senhor Dawkins foge. E foge dele mesmo. Dos seus monstros interiores e conjecturas que ele sabe que são incorretas, mas insiste em bater de frente.

    Ou seja, sem delongas, ele descreve que os creem em Deus estão em delírio.

    Em suas primeiras obras enfatizou que crer em Deus é como crer no coelhinho da páscoa ou no papai noel, crenças infantis que são abandonadas quando passamos a pensar com base nas evidências.

    O que ele quis fazer com isso? Ridicularizar a religião, óbvio!

    Agora um ponto para o Dawkins é que sua obra acerta em demonstrar preocupação com a doutrinação das crianças, ele faz isso das páginas 415 a 429. Para ele essa educação religiosa perniciosa é uma espécie de abuso infantil. Concordo. Temos que ter tato com as crianças, pois sabemos que o que ocorrer na infância não fica somente na infância.

    Também foi um dos poucos pontos, se não for o único, que achei interessante.

    O que define a obra de Richard Dawkins é o seu caráter de fundamentalismo ateu, nossa, é de dar calafrios. Em toda a obra, e olha que li ela toda, são mais de 500 páginas e que demonstra as fragilidades e sentimentos vazios do autor.

    Um dos pontos mais marcantes e polêmicos de Dawkins é mostrar o patológico como normal, o extremo como o centro e o excêntrico como padrão.

    Mas isso não é aceitável nem científico. Repito: não é científico.

    E tem mais, ele não conferia suas fontes, simplesmente citava fontes de ateus famosos antigos e muitos deles nem tinham dito tais afirmações. Como Tertuliano por exemplo.

    Na página 251 ele cita o pai do protestantismo Martinho Lutero e faz uma mistura sem tamanho tentando provar que Lutero era um completo idiota fanático. O que não é verdade.

    Ou seja, nem as fontes são respeitadas, pois ele retira da internet (isso mesmo, da internet – página 251) e não explica de forma contundente seus argumentos e ratifica seu preconceito religioso.

    Dawkins discorda veementemente também das formulações de Tomás de Aquino do século XIII, tradicionalmente conhecida como as cinco vias ou provas. Um abuso.

    Resumo da ópera: Dawkins escorrega feio em suas teorias evolucionistas e digo mais, seu fundamentalismo parece mais com uma criança birrenta do que um cientista sério.

    A mesma liberação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado.

    De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem mesma do relativismo.

    A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores.

    E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano.

    Embora isso seja claro, é comum pensar que o relativismo funde o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam se submeter.

    Isso é um absurdo.

    O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluto: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus.

    O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam se submeter ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais.

    O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório.

    O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso se funda, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus.

    Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno.

    De fato, eles diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: “Percebemos que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”.

    Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo.

    Em outras, palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma.

    Por isso, o ateísmo, ao negar Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reivindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus, estabelecendo assim um novo dogmatismo.

    Portanto, o ateísmo não existe, só é um esquecimento de se estudar fenomenologia; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade.

    Espero que com essa postagem possamos abrir espaço a novos debates e estar sempre atentos ao que a mídia divulga como correto e ilibado. Até a próxima.

    Abaixo você pode fazer o download do livro que tanto mencionei no texto, é uma versão resumida, pois não tem apêndice, livros citados, notas e índice remissivo como na versão original de 520 páginas, essa tem 381 páginas que correspondem as primeiras 475 primeiras páginas do livro impresso. 

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