• A SOMBRA DE DEUS




    E se Deus possuir uma sombra? E se com todo seu lado positivo houver um lado sombrio, de destruição e de caos? Você já parou para pensar que existe essa possibilidade?

    Continuando a série Pedagogia de Deus, hoje trago este livro que dá nome a postagem de François O’Kane, uma terapeuta junguiana, doutora em antropologia social formada pela universidade de Zurique e graduada em psicologia analítica pelo instituto Carl Gustav Jung.

    Neste livro a autora irá abordar a questão do Self sombrio, que em outras palavras é representado por Deus na nossa constituição psíquica.

    Nessa obra a autora aborda o lado negativo de nossa personalidade.

    Já abordei com você leitor em algumas postagens sobre o aspecto negativo do Self, que arquetipicamente falando representa nossa totalidade psíquica.

    Estou falando da sombra coletiva.

    E Jung aborda nossa personalidade como a iluminação do globo terrestre. Ora está iluminado pelo sol, ora não está.

    E ao longo dos anos repercutimos a ideia que somente nosso lado positivo deve se sustentar e o lado negativo deve ir à ruína sem que possa haver o confronto de ambas as forças.

    E nesse ínterim a autora, François O’Kane, tece comentários respaldados em inúmeras pesquisas de que Deus possui um lado sombrio, um lado negativo, uma sombra...

    De que Deus não simplesmente representa a benevolência.

    Não se trata de teologia.

    E sim uma visão arquetípica da constituição da psique humana.

    Então ela questiona essa representatividade de Deus e em não aprendermos o seu lado negativo.

    E diante de todo seu conhecimento, a autora explana de forma coesa e bem desenvolta através de estudos na antropologia qual o lado negativo do Self, através de culturas primitivas e culturas desenvolvidas.

    Resumindo: não conheceríamos o dia se não houvesse a noite.

    Ou seja, não estaríamos afeitos aquilo no qual estamos dispostos a encontrar e a satisfazer nossos anseios mais recônditos, portanto, nosso lado dito negativo é extremamente importante para entendermos quem de fato somos.

    E sendo bem sincero, esse nosso lado maniqueísta de polarizar, separar o bem e o mal, essas possibilidades nos fazem crer que o lado negativo deve ser extirpado de uma vez por todas.

    E o livro mostra exatamente isso: como podemos integrar esses aspectos sombrios do ser. E numa linguagem acessível, ela mostra que é necessário aceitar esse lado sombrio, primitivo da vida.

    Em nenhuma hipótese deve-se desconsiderar a sombra, reitero isso.

    E pensando na dinâmica do globo terrestre, quando se lança luz num dos lados o outro irá para a sombra/escuridão como já mencionei.

    Como bem disse Jung: 

    Qualquer árvore que queira tocar os céus, precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar os infernos.

    O grande problema é que desejamos somente o céu, sem querer passar pelos problemas, pelas agruras e situações vexatórias que a vida rotineiramente nos impõe.


    Espero que você tenha gostado dessa resenha e em breve outras obras aparecerão aqui no blog Saber Jung. 

    *** Você pode encontrar a obra no site Estante Virtual.
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